
PERIGO - Riscos e Limites do Evangelismo
"Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns"1 Coríntios 9:22
No contexto de Missões de Pregar o Evangelho, "fazer-se fraco" implica adaptar-se cultural e socialmente aos outros para comunicar a mensagem do Evangelho de maneira eficaz. No entanto, essa abordagem pode chegar ao limite, ou até extrapolar o limite, ou ser mal interpretada, levando a riscos. Alguns destes riscos devem ser evitados (pois contradizem o ensinamento bíblico) e outros são previstos como parte da jornada de renúncia cristã: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me." Lucas 9:23
Aqui estão alguns exemplos práticos e os riscos:

1. Adaptação Cultural Excessiva
Exemplo: Um missionário se adapta tanto à cultura local que começa a participar de práticas religiosas ou culturais que contrariam princípios cristãos, na tentativa de se conectar melhor com as pessoas.
Riscos:
- Sincretismo Religioso: Misturar crenças cristãs com práticas religiosas locais pode diluir a mensagem do Evangelho e criar confusão entre os novos convertidos.
- Perda de Credibilidade: Outros cristãos podem questionar a autenticidade e a integridade do missionário, afetando sua credibilidade.
- Compromisso dos Princípios: O missionário pode comprometer seus próprios princípios e valores cristãos, enfraquecendo sua fé pessoal.

2. Tentar Agradar a Todos
Exemplo: Um evangelista evita, à todo custo, falar sobre temas difíceis ou potencialmente controversos (como o pecado ou a necessidade de arrependimento) para não ofender ou afastar os ouvintes.
Riscos:
- Mensagem Incompleta: Ao evitar temas importantes, a mensagem do Evangelho pode se tornar incompleta ou superficial, prejudicando o entendimento profundo da fé cristã.
- Falsas Expectativas: Os ouvintes podem ter uma compreensão errada do que significa seguir a Cristo, levando a decepções futuras quando confrontados com os desafios reais da fé.
- Perda de Integridade: O evangelista pode ser visto como inconsistente ou insincero, afetando a confiança das pessoas.

3. Excesso de Empatia e Aceitação
Exemplo: Um evangelista aceita todas as práticas e estilos de vida dos novos convertidos sem oferecer orientação ou discipulado, na tentativa de ser inclusivo e não julgador.
Riscos:
- Falta de Crescimento Espiritual: Os novos convertidos podem não entender a importância da transformação e do crescimento espiritual, permanecendo estagnados em seus antigos comportamentos.
- Compromisso da Comunidade: A comunidade cristã pode perder sua identidade distinta e seus valores, tornando-se indistinguível do ambiente secular ao redor.
- Desvio Doutrinário: Sem orientação clara, as crenças e práticas dos novos convertidos podem se desviar significativamente da sã doutrina cristã.

4. Sacrificar Saúde e Bem-Estar Pessoal
Exemplo: Um missionário ou evangelista trabalha incessantemente, negligenciando sua saúde física, mental e espiritual, para alcançar o maior número de pessoas possível.
Riscos:
- Burnout: A exaustão física e emocional pode levar ao esgotamento, comprometendo a eficácia do ministério a longo prazo. "A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza." 2 Coríntios 12:9
- Negligência da Família: A dedicação excessiva ao trabalho evangelístico pode causar problemas nos relacionamentos familiares, levando a distanciamento ou conflitos. "Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim." Mateus 10:37
- Diminuição da Qualidade: A qualidade do trabalho evangelístico pode diminuir à medida que o missionário ou evangelista se torna cada vez mais sobrecarregado e menos focado.

5. Falta de Discipulado e Seguimento
Exemplo: Um evangelista se concentra apenas em converter pessoas, sem oferecer um sistema de apoio, encaminhamento ou discipulado contínuo para os novos crentes.
Riscos:
- Superficialidade na Fé: Sem acompanhamento, os novos crentes podem ter uma compreensão superficial da fé, tornando-se vulneráveis a abandonar a fé diante de desafios.
- Desintegração da Comunidade: A falta de discipulado pode levar à fragmentação da comunidade cristã, com membros que não se sentem conectados ou apoiados.
- Desperdício de Esforço: O esforço inicial de evangelismo pode ser em vão se os novos crentes não forem nutridos e discipulados adequadamente, resultando em uma alta taxa de abandono.

O que fazer? Conclusão:
Ai de mim se não pregar o Evangelho! Porém é essencial encontrar um equilíbrio entre adaptar-se para alcançar os outros e manter a integridade da mensagem e dos princípios cristãos. Ultrapassar esses limites pode resultar em desvio de compromissos doutrinários, perda de credibilidade, esgotamento pessoal e falta de crescimento espiritual tanto para os evangelistas quanto para os novos convertidos. Estabelecer limites saudáveis e focar em um evangelismo equilibrado e sustentável é crucial para evitar esses riscos. Poderão haver casos extremos? Sim! Houve vários casos registrados na bíblia de sacrifício pessoal visto de maneira positiva. "Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará." Lucas 9:24. E por isso precisamos orar sempre pedindo sabedoria, ânimo e discernimento ao Espírito Santo para compreendermos a vontade de Deus em cada circunstância.