FOTOS - Terremoto no Nepal

Atualizado em 27/04/2015


Terremoto no Nepal
Dia 25 de Abril 2015 uma grande tragédia ocorreu em em Katmandu capital do Nepal, um país asiático que fica entre a China e a Índia deixando mais de 2 mil mortos e milhares de feridos e desabrigados.


Relato de um brasileiro que sobreviveu ao Terremoto no Nepal:

Saindo da India fui conhecer o Nepal, que era outro Pais que queria conhecer suas belezas naturais, seu povo e sua cultura. Cheguei na capital, Katmandu por volta das 15 horas do dia 24/04. Fizemos o chekin no hotel, deixamos nossas coisas e logo fomos atrás de conhecer algo. Estávamos hospedados na região de Thamel, onde tudo acontece. Vimos o movimento nas ruas, o comércio de roupas, bijuterias e artefatos maravilhosos que encantam logo de saída, além de seu povo que já sorri quando olhamos para eles. A Noite descobrimos uma área de bares e restaurantes cheio de pessoas lindas, felizes e que emanavam uma energia impressionante. Me empolguei logo e falei que ficaria uma semana. Nunca imaginei o que me esperava. Jantamos muito bem e fomos para o hotel descansar. Acordei por volta de umas 10 hs porque tinha viajado no dia anterior e saído a noite, mas fiquei um tempo na cama, até que uma meia hora depois, de repente tudo começou a balançar. O prédio inteiro parecia um pêndulo que chegava a se jogar de um lado para o outro num angulo de 45 graus. Minha cama corria dentro do quarto e se balançava toda. Tudo que estava de pé caiu. Fiquei sem ação, parado na cama esperando aquilo tudo passar. Era uma sensação de impotência e espanto. Escutava as pessoas gritando do lado de fora desesperadas e os funcionários do hotel dizendo para sairmos de lá o mais rápido possível. Após quase 01 minuto de tremor forte, conseguimos levantar e sair correndo. Estávamos no terceiro andar, deixamos tudo nosso lá e descemos pelas escadas o mais rápido que pude. Saímos e encontramos as pessoas nas ruas sem saber o que fazerem, comércios fechando as portas, e vimos alguns prédios que desabaram logo.
Nos orientaram a nos deslocar para áreas abertas e longe de edificaçōes. Encontramos uma cheia de pessoas de todo lugar que estavam concentradas naquele local. Demos um tempo e começamos a nos preocupar com o que viria depois disto. Em seguida veio mais tremores. Resolvemos então andar para outro lugar. Dai chegamos em um outro hotel que tinha uma área interna que parecia um parque e vimos seus hospedes sentados lá. Entramos e fizemos algumas amizades logo e nos juntamos a eles. A esta altura começamos a nos preocupar com mantimentos. Dai compramos frutas e bastante água. O tempo começou a esfriar mais e já era quase final de tarde quando apareceu uma pessoa dizendo que havia um hotel que tinha energia própria e também acesso a internet. Saímos atras deste hotel antes que escurecesse pois a cidade não tinha mais luz. No caminho vimos alguns mortos, alguns soterrados nos escombros e outros sendo carregados em carroças. Paramos num lugar que estava oferecendo café. Neste tempo surgiu um Tuk Tuk na nossa frente que tratei de alugar logo ele para me deixar no hotel que estava atrás. Ele nos levou até lá, que foi o começo de nossa salvação.
Chegando lá encontramos um grupo de brasileiros no hall do hotel e logo nos unimos a eles. Foram muito receptivos e o hotel lambem. Resolvemos então ficar baseados lá. Tudo nosso tinha ficado para trás, exceto documentos, dinheiro, cartões e necessaire. A partir dai começamos a tentar viabilizar nossa saída. Pedi a Ericka Braga, minha companheira de viagem, a acessar sites que pudéssemos comprar algum trecho que saíssemos de lá para um local mais seguro. Dai ela comprou dois trechos pela Thay Airlines que saia de lá no dia seguinte as 14 hs. Não tinhamos garantias de voar porque o aeroporto estava fechado, mas mesmo assim compramos este voo com destino a Bangkok, na Tailandia.
Todo este tempo estávamos sentindo tremores a cada 20 minutos e tinhamos sempre de sair correndo do hall para a area aberta deste hotel.
Nos foi oferecido jantar e logo depois disto perdemos o acesso a internet. Pela manhã cedo e sem dormir a noite inteira fomos atrás de nossas coisas. Fomos a pé deste hotel até onde deixamos nossas malas, cerca de 2 quilômetros. Vimos uma cidade muito destruída e muito corpos. Uma tristeza imensa.
Chegamos no hotel e ele estava completamente abandonado mas encontramos nossas coisas empoeiradas, mas intactas. Conseguimos alugar um carro que passava, para nos levar de volta até o outro hotel onde estavam os brasileiros. Ficamos até umas 10 hs, foi quando apareceu uma venezuelana que estava indo de taxi para o aeroporto e nos ofereceu carona. Despedimos-nos de todos e fomos com ela.
No aeroporto estavam milhares de pessoas que queriam embarcar, mas não havia previsão de voos comerciais. No entanto a Thay Airlines resolveu fazer dois voos para lá em 2 aviões Boeing 777 com capacidade para 260 pessoas. Foi ai que conseguimos entrar em um destes e por mais um milagre fomos agraciados com a primeira classe.
Estou contando tudo isto porque até o momento não caíram todas as fichas, mas sei que algo de formidável me espera ou algo de muito importante ainda tenho de fazer na terra.
Não existe uma justificativa lógica, ou de engenharia para o prédio não ter desabado conosco, nem de encontrarmos verdadeiros anjos nos momentos exatos que nós precisamos, de termos escapados de outros tremores e desabamentos. Parece ter sido tudo cronometrado e guiado por uma força suprema que hoje acredito sem sombras de dúvidas que foi Deus em nossos caminhos.
Portanto acreditem e tenham fé, pois nossos caminhos estão nas mãos dele.
Hoje estou melhor, mas fragilizado emocionalmente, sentindo vários sintomas como acordar assustado e encharcado de suor sem nenhuma razão que não seja os traumas que me renderam esta experiência.
A minha viagem continua, mas com certeza as maiores emoçōes eu já vivi.
(Nelson Piquet - São Luís - Maranhão- facebook.com/piquet.ma)





 
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